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"Nascer, crescer e morrer. Essa é a ordem esperada. E também o espaço de tempo. E a previsão do roteiro. Então, só na primeira frase temos o quanto, o onde e o quê. E, o que mais intriga, no entanto, é o que falta: ocomo.

O último aspecto abre mil possibilidades, cores, sabores, nuances, cheiros e desejos, contrabalançados à decepções, perdas, choros engolidos ou derramados, pés na porta e socos na cara. Esse “como” é o tom da tua vida. Grave ou agudo, afinado o tempo inteiro, em cada um dos teus olhares pro lado ou cruzadas de perna.

O resumo é que a vida da gente é resultado de toda e qualquer decisão que a gente toma no decorrer dela. E eu falo aqui de decisões como engatar a primeira e atravessar o retorno ou parar com a pílula pra tentar ter um filho. Jogar o cabelo pra direita e não pra esquerda. Fazer uma tatuagem. Pedir demissão. Ser agredido e denunciar, ou ser agredido e consentir. Pedir de chocolate ou de mumu. Pular do viaduto ou suportar. Mandar a mensagem jogando tudo pros ares ou aceitando desculpas.

Isso é muito mais do que apenas decidir, dizer sim ou não. É quase como se cada decisão dependesse do que virá em seguida na nossa vida, ou seja, do que ainda nem aconteceu. Como se, a cada escolha, outra versão da nossa vida fosse deixada pra trás e nunca mais pudéssemos encontrá-la. É por isso que dói tanto dar uma resposta, tomar uma atitude, optar. Dói decidir. E é doendo que a gente sente, se fragiliza, se coloca vulnerável.

Porque a vida tem que ser mais do que apenas viver. Mais do que fazer a coisa toda funcionar. O sabor está naquilo que faz a vida se movimentar. Por isso eu te (me) pergunto: o que é teu combustível? O que é que-te-alimenta, te-faz-fechar os olhos, te-faz-olhar pra cima, te-faz-cair na realidade ou flutuar sobre ela? Isso é o lubrificante que te faz ir escorregando em uma ou outra escolha, nas decisões que tomam por ti, nas consequências que a gente não esperava.

Eu fiz minhas escolhas, tu fez as tuas e assim seguimos.” - Marina Mentz